O que é Higiene Ocupacional? Qual a importância desta área para nós técnicos de segurança do trabalho? Neste artigo você vai tirar todas as suas dúvidas sobre o que é e porque ela é tão importante para nós prevencionistas!

Técnico de Segurança do Trabalho e Higiene Ocupacional

Definição de Higiene Ocupacional

Higiene do Trabalho ou Higiene Industrial, também conhecida como Higiene Ocupacional pode ser definida como a ciência e arte que se dedica em reconhecer, avaliar e controlar os riscos ambientais (químicos, físicos, biológicos e ergonômicos) que se encontram nos locais de trabalho. Abaixo, apresentamos algumas outras definições de órgãos internacionais que são notoriamente conhecidos por realizarem importantes pesquisas na área:
Segundo a American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH
– Conferência Americana de Higienistas Industriais Governamentais), a higiene industrial é uma ciência e uma arte que objetiva a antecipação, o reconhecimento, a avaliação e o controle dos fatores ambientais e estresses, originados nos locais de trabalho. Esses podem provocar doenças, prejuízos à saúde ou ao bem-estar, desconforto significativo e ineficiência nos trabalhadores ou entre as pessoas da comunidade.

Para a Occupational Safety and Health Administration (OSHA – Segurança
Ocupacional e Administração de Saúde), é a ciência da antecipação, reconhecimento, avaliação e controle das condições de trabalho que podem causar lesão nos trabalhadores ou doença. Higienistas industriais usam monitoramento ambiental e métodos analíticos para detectar o grau de exposição dos trabalhadores e empregam engenharia, controles de prática profissional e outros métodos para conter riscos potenciais à saúde.

Fases da Higiene Ocupacional para a Segurança no Trabalho
Fases da Higiene Ocupacional na Segurança do Trabalho

Antecipação do Risco

A antecipação consiste em realizar ações antes da existência de qualquer novo local de trabalho. Isso pode envolver uma análise dos projetos das novas instalações (qual seu impacto no ambiente e na saúde ocupacional), equipamentos, ferramentas, métodos ou processos de trabalho, matérias primas e outras alterações. Na fase de antecipação devemos identificar os possíveis riscos, buscando alternativas para a eliminação e/ou neutralização do risco ainda na fase de planejamento do projeto.
Nesta fase, utilizaremos o método de análise qualitativo, fazendo uso das técnicas utilizadas para realizar as análises de riscos, como por exemplo, a APR (Análise Preliminar de Riscos). Exemplo: Na utilização de algum agente químico, verificar quais produtos estão na composição e especificar quais equipamentos de proteção individual (EPI), irá utilizar.

>> Saiba mais sobre Agentes Químicos clicando aqui!

Reconhecimento do risco

Essa fase pode ser mais centrada na identificação dos diversos fatores ambientais encontrados nos processos de trabalho, encontrando suas características intrínsecas (etapas de produção, subprodutos, rejeitos, produtos finais, insumos, etc) e aprender sobre a natureza e extensão dos seus efeitos no organismo dos colaboradores e/ou no meio ambiente. Nesta fase iremos identificar se existem agentes físicos, químicos, biológicos e/ou ergonômicos durante as operações e processos de produção e estimando o seu grau de risco.
Esta é uma etapa importante para o Engenheiro ou Técnico de Segurança do Trabalho que irá realizar o reconhecimento, pois esse tipo de análise qualitativa dos riscos ocupacionais requer um amplo conhecimento sobre o processo de produção, matérias primas utilizadas ou geradas e subprodutos em potencial. O PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais – NR09), os mapas de riscos (elaborados pela CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – NR-05) podem ser ferramentas de extrema importância para conseguir informações valiosas.

Avaliação do Risco

Essa é a fase de avaliar e dimensionar a gravidade da exposição do trabalhador e o que ela pode gerar para a saúde do mesmo. Nesta etapa do processo, utilizaremos os resultados das avaliações quantitativas realizadas, para assim obter as informações necessárias que nos ajudarão a definir as prioridades de monitoramento e controle do ambiente. Mas antes iremos estabelecer a estratégia de amostragem para avaliar os agentes ambientais de forma quantitativa, focando nos principais focos de exposição. Esta etapa tem como objetivo, determinar o nível de exposição ao qual o colaborador fica exposto e assim tomar as devidas medidas de controle.

>> Saiba mais sobre Avaliações Quantitativas de Agentes Químicos neste artigo!

Controle do Risco

Nesta última etapa, iremos selecionar os meios, medidas e ações (procedimentos de trabalho) para eliminar, neutralizar ou reduzir, a um nível aceitável, os riscos ambientais, com o intuito de atenuar seus efeitos a valores adequados para conservação da saúde, bem-estar e do conforto do trabalhador.
Para definir as medidas de controle, primeiramente devemos ter conhecimento se o risco se encontra no meio ambiente, no trajeto ou no receptor (trabalhador). A ordem das medidas de controle podem ser:
Controle na fonte do risco: Essa é considerada a melhor forma de controle, pois é baseada na substituição de materiais e/ou produtos, manutenção, substituição ou alteração de processos e equipamentos.
Controle na trajetória do risco (entre a fonte e o receptor): Quando não se consegue realizar medidas de controle de risco na fonte, é aconselhável considerar a utilização de “barreiras” que impeçam a trajetória do agente até o receptor. Podem ser utilizados barreiras isolantes, refletoras, sistema de ventilação e/ou exaustão, etc.
Controle no receptor: Esta é considerada a última medida de controle a ser considerada na gestão de segurança do trabalho, pois ela só deve ser implantada em situação emergencial, caso não seja possível controlar o risco na fonte ou na trajetória do contaminante até o trabalhador. Neste caso podemos considerar o uso de EPI (Equipamento de Proteção Individual) e outras medidas, como: treinamentos, limitação da exposição, revezamento, etc.

O que são os riscos ocupacionais (ambientais)

Nas atividades industriais iremos encontrar processos que podem ser capazes de gerar, no ambiente laboral, substâncias e fenômenos físicos, que por conta de sua natureza, concentração ou intensidade, podem gerar danos à saúde dos trabalhadores, caso os mesmos entrem em contato com as fontes de risco.
Na Higiene Ocupacional, podemos dividir os riscos que se encontram no ambiente de trabalho como: Riscos físicos, Riscos químicos, Riscos biológicos e Riscos Ergonômicos.

Riscos Físicos

Riscos Físicos

Os agentes físicos podem ser definidos como manifestações de energia que podem causar danos aos trabalhadores. Eles podem ser manifestados como:
– Energia mecânica na forma de ruído e vibrações;
– Energia calorífica, na forma de calor e frio;
– Energia eletromagnética, na condição de radiação, que pode ser infravermelho, ultravioleta, raio-x, laser, etc.

>> Você também pode se interessar neste artigo sobre o Risco Físico: Ruído Ocupacional!

Riscos Químicos

Riscos Químicos

São considerados agentes de risco químico as substâncias, os compostos ou produtos que sejam capazes de penetrar no organismo do trabalhador pela via respiratória e, dependendo da natureza da atividade e da exposição, eles podem ter contato ou serem absorvidos pelo organismo através da pele ou por ingestão.
Elas podem ser manifestadas como: poeiras, fumos, gases, neblinas, nevoas ou vapores.

Riscos Biológicos

Riscos Biológicos

Os riscos biológicos são ocasionados através de microrganismos que, em contato com o homem, podem ocasionar inúmeras doenças. São muitas as atividades profissionais que podem proporcionar o contato com tais riscos. Esses são os casos das indústrias de alimentação, hospitais, limpeza pública (coleta de lixo), laboratórios, etc.
São vistos como riscos biológicos: vírus, bactérias, parasitas, protozoários, fungos e bacilos.

Riscos Ergonômicos

Riscos Ergonômicos

Ergonomia pode ser definida como uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. E o ergonomista é o profissional que aplica teoria, princípios, dados e métodos para projetar a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho geral de um sistema. Riscos Ergonômicos podem causar desconforto ao trabalhador por motivos fisiológicos ou psicológicos.

São exemplos de riscos ergonômicos:

  • Posições inadequadas no ambiente de trabalho;
  • Repetitividade das atividades realizadas;
  • Monotonia das atividades realizadas;
  • Iluminação inadequada;
  • Levantamento de carga;
  • Situações de estresse mental.

Classificação dos principais riscos ocupacionais em grupos de acordo com a sua natureza e a padronização das cores correspondentes, segundo a Tabela I (Anexo IV)

Normas de Higiene Ocupacional (NHO)

As NHO’s Normas de Higiene Ocupacional da Fundacentro foram criadas com o intuito de determinar limites de tolerância, metodologia de avaliação, critérios técnicos dos equipamentos utilizados nas avaliações quantitativas de riscos ocupacionais, bem como, servir de orientação sobre formas de controle de agentes de riscos ambientais.

Normas de Higiene Ocupacional da Fundacentro

No site da Fundacentro você pode encontrar e baixar em PDF, totalmente grátis, as seguintes Normas de Higiene Ocupacional:

  • NHO 01-Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional ao Ruído
  • NHO 03 Método de Ensaio: Análise Gravimétrica de Aerodispersóides Sólidos Coletados Sobre Filtros e Membrana
  • NHO 04 – Método de Ensaio: Método de Coleta e a Análise de Fibras Em Locais de Trabalho
  • NHO 05 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional aos Raios X nos Serviços de Radiologia
  • NHO 06 – Avaliação da exposição ocupacional ao calor
  • NHO 07- Calibração de Bombas de Amostragem Individual pelo Método da Bolha de Sabão
  • NHO 08- Coleta de Material Particulado Sólido Suspenso no Ar de Ambientes de Trabalho
  • NHO 09- Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração de Corpo Inteiro
  • NHO 10 – Procedimento Técnico – Avaliação da Exposição Ocupacional a Vibração em Mãos e Braços

Curso básico de Higiene Ocupacional em EAD

A EAD Pernambuco, em seu curso de Técnico de Segurança do Trabalho online, produziu cinco aulas sobre Higiene Ocupacional, extremamente didáticas e de fácil entendimento, veja abaixo todas as vídeo aulas:

Aula 01 – Analisar as condições de higiene e organização do ambiente de trabalho, avaliando os riscos ocupacionais para a gestão de SST

Aula 02 – Estabelecer ações preventivas e corretivas para a promoção de higiene e organização do ambiente de trabalho.

Caso você queira assistir todas as aulas relacionadas ao curso online de Segurança do trabalho da EAD Pernambuco, clique aqui!

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui